quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ir à praia ou ir a praia?

É muito comum a dúvida quanto ao uso do acento grave em construções como a que dá título a este texto: "Ir à praia ou ir a praia?". Sobre isso, sempre ouvimos a pergunta: "Tem crase ou não tem crase?". Uma pergunta que já na elaboração demonstra um pensamento equivocado de quem a fez. Crase não é o nome do acento, mas sim o nome do fenômeno fonético que ocorre devido à contração de duas vogais idênticas; neste caso, o artigo feminino A e a preposição A. Na língua portuguesa, tal fenômeno é indicado graficamente pelo acento grave ( ` ).


Não irei à cidade hoje.
Chegarei à uma hora e voltarei às oito.


Quem determina se ocorre crase ou não é a palavra anterior ao A, de acordo com sua regência; ou seja, é o verbo ou mesmo um nome (termo que abrange, em gramática, os substantivos, advérbios e adjetivos) que indicará se há necessidade de uma preposição ou não. Por esta razão, o item da gramática que aborda esse assunto é chamado de regência verbal e regência nominal.



Apesar da dificuldade que a maioria das pessoas encontra ao usar o acento indicativo de crase, há alguns recursos que podem ser utilizados para identificar a necessidade de seu uso:


1. Um dos recursos mais utilizados é a troca de preposição: A preposição A relaciona-se com as preposições para, de, em, por. Neste caso, pode-se tentar trocar a preposição por uma destas outras. Se desta troca resultar as formas para a, da, na, pela, o A pode ser acentuado.


Fiz uma excursão para Brasília - Fiz uma excursão a Brasília.


2. Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente; ou seja: substantivo comum no lugar de substantivo, pronome no lugar de pronome etc. Essa troca não pode ser feita de maneira aleatória, nem usada como único recurso para justificar a presença ou ausência da crase e deve-se observar, ainda, o seguinte:


Se, antes da palavra masculina, aparecer ao(s), use crase antes da palavra feminina. Ex.: Ele se dirigiu à fazenda. / Ele se dirigiu ao clube.


Se, antes da palavra masculina, aparecer apenas a preposição a ou artigo o, não se usa crase antes da palavra feminina. Ex.: Os turistas visitaram a cidade. / Os turistas visitaram o museu.


Dependendo de certos fatores , o emprego do sinal de crase pode ser obrigatório, opcional ou proibido.




Casos em que a crase é obrigatória:
1. Em locuções adverbiais femininas de tempo, modo e lugar. Exemplos:


Cheguei às dez horas.
Leu o texto às pressas.


Voltaremos à cidade em breve.


2. Em locuções prepositivas ( à + palavra feminina + de) e conjuntivas ( à + palavras feminina + que). Exemplos:


Ela saiu à procura de ajuda.
Ficava preocupada à medida que os filhos demoravam a chegar.




Casos em que a crase é opcional:


1. Com pronomes possessivos (minha, sua, nossa etc.). Ex.: Ele se dirigiu à minha irmã. / Ele se dirigiu a minha irmã.


2. Com nomes de mulher. Ex.: Eu me refiro à Patrícia. / Eu me refiro a Patrícia.


3. Com a palavra até. Ex.: A estrada vai até à praia. / A estrada vai até a praia.




Casos em que a crase é proibida:


1. Com palavras masculinas. Ex.: Escreva o texto a lápis.
2. com verbos. Ex.: Ela começou a escrever.


3. Com os demonstrativos esta (s), essa (s) e o relativo cuja (s). Ex.: Dou valor a essa vitória.


4. Com pronomes pessoais do caso reto e pronomes de tratamento. Ex.: Obedeço a ela, não a Vossa Senhoria.


5. Com preposição A + palavra plural. Ex.: Referia-se a questões políticas.


6. Entre palavras repetidas. Ex.: Estávamos frente a frente.


7. Com nomes de cidades (sem especificativo). Ex.: Iremos a São Paulo.


8. Com a palavra casa (sem especificativo). Ex.: Chegamos cedo a casa.


9. Com a palavra terra (no sentido oposto ao de água). Ex.: O náufrago chegou a terra.




Observações:


1ª) Com nomes de cidade, havendo especificativo, ocorrerá crase. Ex.: Iremos à bela São Paulo.


2ª) Se a palavra casa apresentar um especificativo, ocorrerá crase. Ex.: Chegamos cedo à casa de nossos amigos.
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